Tucunaré-azul
Cichla piquiti
Também conhecido como: Azulão, Tucunaré
Água doce
- Tamanho
- até 50 cm
- Peso
- até 1,8 kg
- Briga
- 5 de 5
- Onde fica na água
- meia-água, fundo
Identificação
Ciclídeo de corpo alongado e boca grande, com a mandíbula inferior projetada para a frente. O adulto tem cinco faixas verticais escuras e largas abaixo da nadadeira dorsal, que descem bem pelo flanco, e não tem manchas em forma de olho nos lados do corpo. Na base da cauda há uma mancha preta circundada por um anel claro, prateado a branco. A cor do corpo vivo vai do cinza-claro, o mais comum, ao amarelado, com as faixas bem contrastadas, e o conjunto dá uma impressão azulada, origem do nome. Tem de 83 a 104 escamas na fileira longitudinal usada para separar as espécies do gênero. Diferencia-se do tucunaré-amarelo (Cichla kelberi), que ocorre na mesma bacia, por não ter manchas claras na nadadeira anal, não ter manchas escuras no abdome nem faixa na nuca. Os jovens têm uma faixa escura longitudinal ao longo do flanco, que desaparece entre 15 e 20 cm de comprimento padrão.
Características
Peixe da família Cichlidae, descrito em 2006. O nome piquiti vem do tupi-guarani e significa listrado. O maior exemplar examinado na descrição original media 43 cm de comprimento padrão, sem contar a nadadeira caudal. No Pantanal, os exemplares de um estudo mediram de 26 a 50 cm de comprimento total. O maior peso publicado é de 1,8 kg. Machos muito grandes desenvolvem uma protuberância avermelhada na nuca. Na área nativa e em reservatórios onde foi introduzido, reproduz-se ao longo do ano todo. É um predador voraz e, fora da área nativa, é considerado espécie invasora capaz de alterar a fauna de peixes local.
Pescadores relatam que briga forte depois da fisgada: faz arrancadas, toma linha e procura o fundo ou a estrutura mais próxima, o que pode romper a linha em pedras e galhos.
Habitat
Água doce. É nativo da bacia Tocantins-Araguaia, com registros naturais no baixo e no alto rio Tocantins e na drenagem do Araguaia. Foi introduzido e se estabeleceu em reservatórios da bacia do rio Paraná, em Minas Gerais, Goiás e São Paulo, e também no Paraguai. Chegou ao Pantanal, na bacia do alto Paraguai, depois de escapar de tanques de piscicultura no rio Piquiri por volta de 1982, e se espalhou rio abaixo. Prefere águas paradas, quentes e claras. No Pantanal, frentes frias que baixam a temperatura da água rasa para perto de 15 °C são associadas a mortandades da espécie.
Na prática, pescadores costumam encontrá-lo junto a estruturas submersas, como galhadas, árvores e pedras, e, na época de reprodução, em casais perto dos ninhos.
Alimentação
Carnívoro e predominantemente piscívoro, caça de dia guiado pela visão. Na represa de Lajeado, no rio Tocantins, dentro da área nativa, a dieta reuniu pelo menos 23 itens, quase todos peixes de pelo menos 19 espécies, sobretudo das famílias Characidae e Cichlidae, sem diferença clara entre sexos, épocas do ano ou tamanhos. No Pantanal, onde foi introduzido, os peixes também foram o principal alimento, com presas de ambientes de água parada das famílias Characidae, Cichlidae e Loricariidae.
Pesca
As regras de pesca do tucunaré mudam de estado para estado e ao longo do tempo. Confira a norma vigente no local antes de pescar. Em Mato Grosso, a Lei estadual nº 12.434/2024 proíbe por cinco anos, a partir de 1º de janeiro de 2024, o transporte, o armazenamento e a comercialização de tucunaré (Cichla spp.) pescado nos rios do estado, e a pesca amadora fica restrita ao pesque e solte. Na piracema, a Resolução Cepesca nº 1/2026 proíbe a pesca nos rios das bacias do Paraguai, do Amazonas e do Araguaia-Tocantins de 1º de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027; só fica permitida a pesca de subsistência, desembarcada, de até 3 kg ou um exemplar por dia. Em Mato Grosso do Sul, o Imasul informou em 2020 que o tucunaré, por ser espécie exótica no estado, pode ser capturado sem cota. Na piracema de 2024/2025, de 5 de novembro a 28 de fevereiro, o Imasul informou que toda pesca ficou proibida nos rios do estado, salvo a de subsistência dos ribeirinhos.
Pescadores relatam que é alvo frequente da pesca esportiva em represas, com iscas artificiais e soltura do peixe.
Iscas
- Isca de superfície
- Zara
- Popper
- Stickbait
- Isca de meia-água
- Minnow
- Isca magnética
- Jig de pelo
Entre pescadores, as iscas mais citadas para o tucunaré-azul são as artificiais de superfície, como zaras, poppers e stickbaits, e as de meia-água, como minnows e iscas magnéticas. O jig de pelo é citado para buscar o peixe no fundo nos dias mais difíceis.
